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O sol pode ser um inimigo

O cancro da pele é uma realidade que exige uma atenção especial por parte de todos. A prevenção e a protecção solar são essenciais para evitar o pior.

O cancro da pele é uma realidade que exige uma atenção especial por parte de todos. A prevenção e a protecção solar são essenciais para evitar o pior.
Saiba se pertence ou não a um grupo de risco e aprenda a analisar a sua pele.Quando descoberto atempadamente o cancro cutâneo tem uma taxa de cura da ordem dos 95 por cento.
O sol, eterno sujeito de admiração e adoração, foi e continua a ser uma das principais causas de preocupações para o homem. Considerado Deus na Antiguidade, os homens incitavam-no a nascer todos os dias para que os seus raios entretivessem a vida e rejeitassem a morte.
Hoje em dia a situação é quase a inversa. O sol deixou de ser Deus e o lema é, de facto, a protecção dos seus efeitos nocivos.
O que é que fez com que esta alteração fosse tão radical?
Tão simplesmente o progresso científico. As descobertas de Copérnico, Galileu e Newton e, bem mais perto da nossa época, os espantosos desenvolvimentos nas áreas de estudos de fisiologia e patologia cutâneas, o avanço da dermatologia. Os seus efeitos nocivos tomaram maior proporção face ao conhecimento, mas as suas virtudes não deixaram de existir.
A acção solar, e os seus efeitos sobre o homem, tornou-se cada vez mais complexa e difícil de entender, já que, ao mesmo tempo que é benéfica (permitindo sobretudo a síntese da vitamina D, indispensável ao desenvolvimento ósseo, e facilitando o bem estar psíquico do indivíduo, a sua alegria de viver), é também nociva (provocando o envelhecimento cutâneo e o aparecimento de cancros da pele).
É assim que esta fonte de prazer, de vida e de beleza pode causar sofrimento e por vezes até a morte. Sem alarmes exagerados, é preciso, pois, redescobrir o sol e dele se proteger. Uma contradição, talvez, que exige em primeiro lugar exposições prudentes e limitadas de acordo com cada tipo de pele. Sendo que cada caso é diferente, é "obrigatório" que cada um conheça o seu.
A pele e os fototipos
A pele é o maior órgão humano e o primeiro a tomar contacto com todas as agressões externas. Órgão verdadeiramente complexo, é uma espécie de escudo protector que permite a nossa sobrevivência. A sua composição específica revela qualidades fundamentais como a elasticidade, a solidez, a impermeabilidade e a capacidade de eliminar o calor.
Sob o efeito do sol, agressão externa responsável por mais de 90 por cento dos cancros cutâneos, a pele reage de diferentes maneiras, segundo a sua especificidade.
Existem seis tipos de pele (do I ao VI), os chamados fototipos, que exigem níveis de protecção distintos, suportam tempos diferentes de exposição solar e acarretam mais ou menos riscos de desenvolvimento de cancros cutâneos.
Pessoas com cabelos louros ou ruivos, olhos azuis ou verdes, pele muito clara e sensível são propensas a apanhar os chamados escaldões, praticamente não se bronzeiam ou só com muita dificuldade (fototipo I e II).
Já aqueles que possuem cabelos castanhos, pele clara, olhos claros ou escuros, mas adquirem um bronzeado gradual (fototipo III), também não estão livres dos escaldões. Com fototipo IV, cabelos castanhos ou pretos, pele morena e olhos escuros, têm a pele pouco sensível ao sol e raramente sofrem queimaduras, mas não estão ao abrigo de um envelhecimento cutâneo precoce. A vida é de facto mais facilitada para quem tem cabelos pretos, pele escura, olhos castanhos escuros (fototipo V) e, sobretudo, para quem apresenta cabelos, olhos e pele negros (fototipo VI).
Riscos a evitar
Para todos estes tipos de pele, a exposição ao sol é um risco, que no entanto pode ser calculado, e até mesmo evitado. Os raios de sol ao penetrarem na nossa pele fazem-no mais ou menos profundamente, libertando energia. Consequências visíveis imediatas são os chamados escaldões e o envelhecimento cutâneo, mas existe um grande número de perigos cujos efeitos só são perceptíveis a longo prazo - os mais nefastos.
Pequenos danos podem alterar o funcionamento das nossas células, e quanto mais vezes os sofrermos mais debilitados se tornam os mecanismos cutâneos de recuperação. Certas células escapam ao controlo imunitário, crescem, dividem-se e podem tornar-se malignas, provocando o cancro da pele - basalioma, carcinoma espino-celular e melanoma, o mais perigoso dos cancros cutâneos.
Além das exposições solares excessivas, e da maior ou menor sensibilidade da pele, facdatores de risco importantes são ainda a utilização indiscrimina de solários (bronzeamento artificial) e antecedentes pessoais ou familiares de melanoma.
Os sinais e as suas alterações
Especial atenção merecem as chamadas manchas pigmentadas (melanócitos), sinais, sardas, manchas escuras. A maior parte destes sinais é benigna. Mas qualquer alteração recente do seu tamanho, forma, cor, começar a sentir prurido ou verificar que há vermelhidão ou sangramento pode ser um indício da sua transformação em melanoma.

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